Uma fotografia de 1916 que ajuda a entender o transtorno de estresse pós-traumático

A imagem registra um soldado britânico em 1916, durante a Batalha de Flers-Courcelette, um dos confrontos mais intensos da Primeira Guerra Mundial. Seu olhar vazio, distante e aparentemente desconectado da realidade chamou a atenção de historiadores, psicólogos e estudiosos ao longo das décadas.
Na época, essa condição era conhecida como shell shock um termo usado para descrever o colapso psicológico causado por bombardeios constantes, ruídos extremos e pela pressão permanente da vida nas trincheiras.
O que era o shell shock?
Durante a Primeira Guerra Mundial, milhares de soldados começaram a apresentar sintomas que hoje reconhecemos como psicológicos:
- desorientação
- apatia extrema
- dificuldade de fala
- olhar fixo e distante
- incapacidade de reagir a estímulos comuns
Sem o conhecimento científico atual, acreditava-se que o problema estivesse ligado apenas a danos físicos causados pelas explosões. Por isso, o termo shell shock (choque de granada) passou a ser utilizado.
Somente décadas depois, a medicina e a psicologia compreenderiam que o sofrimento era emocional e mental, não apenas físico.
Do shell shock ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Hoje, essa condição é reconhecida como Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
Trata-se de uma resposta do cérebro a experiências extremas, nas quais o indivíduo é exposto a situações de medo intenso, ameaça constante ou perda profunda.
O que muitos soldados viveram nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial foi um sofrimento invisível, frequentemente incompreendido e, em muitos casos, tratado com punição em vez de cuidado.
O significado do “olhar de mil jardas”
O termo “olhar de mil jardas” passou a ser usado popularmente para descrever a expressão observada em pessoas profundamente marcadas por experiências traumáticas.
Esse olhar não representa fraqueza.
Ele revela um estado de defesa emocional, no qual a mente se distancia da realidade como forma de sobrevivência.
A fotografia desse soldado se tornou um símbolo silencioso de tudo aquilo que não era dito e não era compreendido sobre saúde mental naquela época.
Uma lição que atravessa o tempo
A história do shell shock nos lembra que:
- nem todas as feridas são visíveis
- o sofrimento emocional é real
- cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo
Hoje, o debate sobre saúde mental, traumas psicológicos e resiliência emocional é cada vez mais necessário não apenas para soldados, mas para qualquer pessoa que enfrente situações extremas ao longo da vida.
Fonte histórica
Imperial War Museums
Registros da Batalha do Somme (1916)

